Em um cenário audiovisual frequentemente celebrado por sua força estética, capacidade de renovação e relevância para o cinema brasileiro contemporâneo, ainda existe uma pergunta que aparece com menos frequência do que deveria: quem são as mulheres que constroem o cinema pernambucano?
A pergunta parece simples, mas rapidamente se mostra mais complexa do que aparenta. Falar sobre presença feminina no audiovisual não significa apenas identificar nomes, contabilizar participações ou observar números de mercado. Significa olhar para trajetórias, compreender condições de permanência, discutir acesso a espaços de decisão e, principalmente, reconhecer que toda história do cinema também é construída a partir daquilo – e daqueles – que muitas vezes permanecem fora do centro das narrativas mais conhecidas.
Foi a partir desse questionamento que nasceu Parte de Mim: Um Documentário Sobre as Mulheres do Cinema Pernambucano, desenvolvido como meu Trabalho de Conclusão de Curso em Jornalismo.
O documentário surgiu inicialmente de um interesse pessoal pela direção cinematográfica e pela linguagem audiovisual. Ao longo da graduação, o contato com produções documentais, com estudos sobre cinema e com experiências práticas de realização fez crescer uma curiosidade que, aos poucos, deixou de ser apenas técnica: entender não somente como os filmes são feitos, mas quem consegue fazê-los e sob quais condições determinadas trajetórias se tornam possíveis.

No caso específico do cinema pernambucano, essa inquietação parecia ainda mais necessária.
Reconhecido nacionalmente por uma produção marcada pela experimentação formal, pela construção autoral e pela circulação em festivais e circuitos críticos, o audiovisual produzido em Pernambuco ocupa há décadas um lugar de destaque dentro do cinema brasileiro. Trata-se de uma cinematografia constantemente associada à invenção estética e ao surgimento de novos olhares. Ao mesmo tempo, como acontece em diferentes contextos culturais, as disputas por reconhecimento, visibilidade e autoria também atravessam esse campo.
Ao iniciar a pesquisa que daria origem ao documentário, ficou evidente que discutir a presença das mulheres nesse cenário exigia ir além da ideia de representatividade entendida apenas como ocupação numérica.
O objetivo do filme não seria produzir um levantamento histórico nem elaborar um diagnóstico estatístico do setor. A intenção passou a ser outra: construir um espaço de escuta capaz de reunir experiências distintas e compreender como mulheres que atuam no audiovisual pernambucano pensam suas trajetórias, percebem suas inserções profissionais, enfrentam permanências e projetam futuros possíveis para as próximas gerações.
Para isso, o documentário foi estruturado a partir da articulação entre diferentes frentes de trabalho.
O processo envolveu pesquisa bibliográfica sobre cinema, gênero, autoria e documentário; levantamento documental sobre o cenário audiovisual brasileiro e pernambucano; análise de obras que dialogam com a proposta temática e estética do projeto; além da realização de entrevistas filmadas em profundidade.
Embora ancorado em princípios do fazer jornalístico – como apuração, contextualização, entrevista e compromisso com o debate público –, o projeto passou a buscar uma linguagem que permitisse acolher também subjetividades, memórias e experiências. A intenção era construir um filme que permitisse compreender como essas trajetórias são atravessadas por pertencimento, criação, afetos e disputas.
A partir desse entendimento, foi definido o conjunto final de entrevistadas que conduziria a narrativa do documentário.
Participam do filme as cineastas Kátia Mesel, Tuca Siqueira, Luci Alcântara, Yane Mendes, Dea Ferraz, Cíntia Lima e Danielle Valentim – mulheres que ocupam posições distintas dentro do audiovisual pernambucano e que representam gerações, contextos e percursos profissionais diferentes.
Ao longo das conversas, surgiram relatos sobre os primeiros contatos com o cinema, processos de formação, experiências em sets de filmagem, relações com o território, obstáculos profissionais, desigualdades persistentes e formas de resistência coletiva. Em comum, havia algo que aparecia repetidamente nas falas: fazer cinema nunca foi apresentado como um caminho simples.
Ainda assim, permanecer continuava aparecendo como escolha.
O que inicialmente parecia ser uma investigação sobre mulheres no cinema pernambucano passou também a se tornar uma tentativa de compreender o que sustenta alguém dentro do audiovisual – apesar dos limites, das dificuldades e das negociações permanentes que esse campo exige.
O que dizem as cineastas
Cada entrevistada chegou ao cinema por caminhos diferentes, atravessada por contextos geracionais, sociais e profissionais próprios. Ainda assim, ao longo das conversas, surgiram temas que começaram a formar uma espécie de narrativa coletiva: pertencimento, permanência, memória, coletividade, disputa por espaço e desejo de continuar criando.
Uma das questões mais presentes foi justamente o pertencimento.
Ao refletir sobre a importância das relações entre mulheres dentro do audiovisual pernambucano, Danielle Valentim apontou que permanecer nesses espaços não depende apenas de acesso ou ocupação formal, mas também da possibilidade de reconhecer que se pertence a eles.
“O contato com outras mulheres no cinema pernambucano é essencial para fortalecer a caminhada. Porque, falando agora, parece simples, mas são muitos entraves – inclusive de se sentir pertencente a esses lugares que a gente luta para ocupar.”

Ao desenvolver essa ideia, Danielle amplia o debate para além do campo profissional e aponta uma dimensão subjetiva frequentemente ignorada quando se fala sobre inserção feminina em áreas historicamente masculinizadas.
“Às vezes a gente luta, ocupa, mas não se sente pertencente. E isso acontece porque esses espaços são historicamente negados. E a linguagem cinematográfica dominante também não foi pensada a partir da gente.”
Existe também o desafio de permanecer sem sentir que se está ocupando provisoriamente um espaço que continua sendo percebido como pertencente a outras pessoas.
Danielle relaciona esse processo diretamente à construção coletiva entre mulheres.
Segundo ela, é justamente no contato com outras experiências semelhantes que muitas dessas percepções deixam de ser compreendidas como fracassos individuais e passam a ser entendidas como consequência de estruturas mais amplas.
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“A gente entende: eu sinto isso porque é normal, eu estou enfrentando uma estrutura. Nada foi feito para mim. Eu preciso encontrar meu espaço e me colocar nele. E a gente só consegue isso com apoio coletivo.”
A ideia de coletividade também aparece na fala de Cíntia Lima.
Ao refletir sobre sua trajetória no audiovisual, Cíntia descreve um percurso marcado pela percepção constante das diferenças de tratamento e pela necessidade permanente de negociação dentro dos ambientes profissionais.
“Me sentir mulher negra, como atriz, foi um lugar de dor.”
Ao mesmo tempo, ela aponta que permanecer nesses espaços também produz transformação.
“Hoje a gente ainda enfrenta desigualdades, mas também ocupa cada vez mais esses espaços. E isso exige que a gente se imponha, o que é desgastante, mas também nos fortalece profissionalmente.”
Ao falar para mulheres que estão começando, sua resposta retorna novamente para uma ideia que atravessa diferentes entrevistas.
“Procure suas pares. É importante ter rede, fortalecimento profissional. O primeiro projeto que eu aprovei foi porque fiz uma oficina, porque tive ajuda de outras pessoas.”
Se pertencimento e coletividade aparecem como formas de sustentar permanências, outra questão recorrente nas entrevistas foi o esgotamento.
Ao longo das conversas, nenhuma das entrevistadas apresentou o cinema como um caminho simples ou romantizado. Ao contrário: as falas frequentemente retornavam para obstáculos materiais, inseguranças, desigualdades e momentos de exaustão.
Foi nesse contexto que uma das respostas mais marcantes surgiu na entrevista com Dea Ferraz. Quando questionada sobre o que ainda a fazia continuar, sua resposta não veio acompanhada de discursos idealizados sobre vocação.
Veio como reconhecimento de uma necessidade.
“Eu não sei fazer outra coisa da minha vida. Não pense que eu já não pensei mil vezes em desistir. Todo ano eu penso. Todo ano eu digo: ‘Meu Deus, será que eu ainda quero seguir?’”
Em seguida, ela conclui:
“Mas a verdade é que eu não sei fazer outra coisa. Eu tenho que fazer cinema, porque senão também eu não vou sobreviver. Esse é meu lugar no mundo.”
Existe algo especialmente forte nessa resposta porque ela desmonta uma imagem frequentemente associada ao trabalho artístico. Não aparece o cinema como realização permanente. Aparece o cinema como insistência.
Ao lembrar momentos de articulação coletiva entre mulheres no audiovisual pernambucano, Dea menciona o movimento Mulheres no Audiovisual Pernambuco (MAPE) como um espaço importante de mobilização e tensionamento das práticas historicamente naturalizadas dentro do setor.
Ao longo da entrevista, ela recorda situações em que foi necessário assumir posicionamentos públicos e estabelecer limites que, até então, sequer eram colocados em discussão dentro dos ambientes de produção.
“A gente teve que se posicionar publicamente como mulheres no cinema e tensionar esse cinema pernambucano.”
Em seguida, complementa:
“A gente teve que fazer quase que uma cartilha de como se comportar dentro de um set de filmagem.” Para ela, pensar diversidade dentro do cinema implica questionar também os modelos tradicionais de produção. “Eu já ouvi alguém dizer: ‘Mas o cinema é universal’. E eu dizia: ‘Universal? Cadê as pessoas desse cinema universal?’”
A ideia de que o audiovisual também precisa ser disputado aparece novamente na entrevista com Tuca Siqueira.
Ao refletir sobre os avanços conquistados nos últimos anos, ela reconhece mudanças importantes relacionadas a políticas públicas e acesso a editais, mas observa que as condições de produção continuam sendo distribuídas de maneira desigual.
“A gente avançou muito em termos de políticas públicas. Mas a gente não acessa os mesmos orçamentos, as mesmas condições de produção.”
A partir dessa percepção, ela faz uma observação que desloca o debate para outra camada.
“Às vezes eu olho um filme das minhas colegas pernambucanas e olho o meu próprio filme e penso: caramba, como a gente conseguiu realizar tão bem isso? Imagina se a gente tivesse mais dinheiro para produzir. Até onde a gente iria?”
Se parte das entrevistas aponta para permanência e disputa, outras falas retornam para a origem. Para aquilo que fez essas mulheres se aproximarem do cinema pela primeira vez.
Luci Alcântara descreve uma relação muito inicial com a experiência de assistir filmes.

“Desde pequena, eu assistia todos esses filmes que você possa imaginar. Isso era minha vida. Eu trocava qualquer coisa para ir ao cinema.”
Depois acrescenta: “Foi quando eu descobri que eu não era… que as outras amiguinhas não eram iguais a mim.”
Já Kátia Mesel, uma das figuras mais importantes da história do audiovisual pernambucano, amplia o olhar para pensar o próprio papel do estado dentro do cinema brasileiro.
“O cinema pernambucano impacta. Temos atores e atrizes maravilhosos que vão embora porque existem mais oportunidades, mas que foram gestados aqui.”
Entre histórias de início, permanência e futuro, o que as entrevistas parecem revelar não é uma experiência única de ser mulher no audiovisual.
Pelo contrário. O que aparece é justamente a pluralidade dessas experiências.
Mas existe algo que atravessa todas elas… Nenhuma dessas trajetórias foi construída sozinha.
Os bastidores da produção
Se as entrevistas formaram o centro narrativo de Parte de Mim, foi nos bastidores que o documentário começou, de fato, a existir.
Antes das gravações, antes da montagem e antes mesmo das primeiras imagens captadas, o projeto passou por um processo longo de definição de recorte, organização prática e negociação constante entre intenção e possibilidade. Como acontece em grande parte das produções independentes, o filme precisou ser pensado simultaneamente como ideia e execução: cada escolha criativa carregava também implicações logísticas, financeiras e técnicas.
Desde o início, havia uma compreensão de que o documentário dependeria essencialmente das entrevistas.
Diferentemente de formatos conduzidos por observação contínua ou registros de rotina, Parte de Mim foi concebido como um filme estruturado a partir da escuta. Isso significava que o encontro com as entrevistadas não seria apenas mais uma etapa do processo, mas sim o próprio ponto de partida da narrativa.
Por esse motivo, uma das principais preocupações durante a pré-produção foi viabilizar essas conversas o mais cedo possível dentro do cronograma. Mas transformar essa intenção em prática se mostrou mais complexo do que parecia inicialmente.
O projeto previa, em suas versões iniciais, a realização de entrevistas com doze mulheres atuantes no audiovisual pernambucano. A proposta buscava reunir diferentes funções, gerações e experiências dentro do campo cinematográfico. À medida que a produção avançou, no entanto, começaram a aparecer limitações concretas relacionadas a deslocamento, disponibilidade de agenda, tempo de execução e estrutura da equipe.
Algumas decisões precisaram ser revistas. Entre elas, a redução do número de participantes para um conjunto final de sete entrevistadas.
Essa adaptação não aconteceu por falta de interesse ou ausência de possibilidades narrativas. Pelo contrário: ela evidenciou uma característica que acompanhou todo o documentário – compreender que fazer cinema também significa tomar decisões dentro das condições reais de realização.
Ao longo desse processo, o contato com as entrevistadas foi feito diretamente por mim, principalmente por redes sociais e aplicativos de mensagem. Depois vieram as gravações.
Ao todo, as filmagens foram distribuídas ao longo de 15 dias e envolveram deslocamentos entre espaços institucionais, equipamentos compartilhados e adaptações constantes de rotina.
As entrevistas aconteceram em locais como o Cinema São Luiz, o Cinema da Fundação Joaquim Nabuco, o Museu Murillo La Greca, a Universidade Católica de Pernambuco e residências das próprias cineastas, em diferentes regiões do Recife e de Olinda.
Cada espaço produzia uma atmosfera diferente.

Algumas entrevistas aconteciam em ambientes amplos e silenciosos. Outras exigiam reorganização completa da montagem por causa de iluminação, circulação de pessoas ou interferências sonoras.
Em determinados momentos, os próprios contextos dos espaços acabaram entrando no filme.
Grande parte do processo acontece justamente na capacidade de reorganizar o que parecia definido. Do ponto de vista técnico, o documentário também foi construído a partir de uma estrutura híbrida.
Foram utilizados equipamentos próprios, materiais disponibilizados pela universidade e recursos emprestados por colegas. A configuração incluía duas câmeras em todas as entrevistas, além de microfones de lapela, iluminação auxiliar, tripés, dispositivos de armazenamento e diferentes soluções para captação de imagem e áudio.
A decisão de trabalhar com dois enquadramentos simultâneos (um mais aberto e outro em close) surgiu ainda na etapa de planejamento e permaneceu durante todo o filme. Isso ampliava possibilidades na montagem e permitia preservar nuances das entrevistas: pausas, mudanças de expressão e pequenas reações que muitas vezes também contam histórias.
Ao longo do processo, assumi diretamente etapas como direção, captação de imagem, gravação de áudio, condução das entrevistas, organização dos arquivos, montagem e edição.
Mesmo nos dias mais cansativos, existia uma sensação constante de estar ocupando um espaço que, até então, tinha sido imaginado muitas vezes e vivido poucas. Porque em algum momento do processo ficou claro que o documentário já não estava apenas registrando encontros, mas sendo construído a partir deles.
Montagem, escuta e permanência
Depois das gravações concluídas, iniciou-se um processo longo de organização dos arquivos, revisão integral das entrevistas, decupagem do material e construção da estrutura narrativa do filme. Todas as entrevistas foram reassistidas integralmente e passaram por uma etapa inicial de seleção, com redução de trechos, transcrição e reorganização temática.
Se durante as gravações as conversas aconteciam uma de cada vez, foi na montagem que elas começaram a dialogar entre si. Respostas dadas em dias diferentes começaram a formar relações inesperadas. Experiências que pareciam individuais começaram a revelar padrões. Perguntas que haviam sido feitas separadamente passaram a construir um discurso coletivo.
Ao longo desse processo, as entrevistas foram organizadas em grandes eixos narrativos que passaram a estruturar o documentário: o primeiro contato com o cinema, a inserção profissional, as experiências dentro do mercado audiovisual, os desafios enfrentados ao longo da trajetória, a importância das redes de apoio entre mulheres, a relação com as futuras gerações e, por fim, a permanência no fazer cinematográfico.
As entrevistadas falaram sobre desigualdades históricas, diferenças de oportunidade, acesso desigual a financiamento, desafios de reconhecimento e disputas por espaço.

Mas o documentário também encontrou insistência. Encontrou afeto. Encontrou mulheres que falam de cinema como trabalho, mas também como forma de construir existência.
Ao longo das entrevistas, ficou evidente que não existe uma experiência única de ser mulher no audiovisual pernambucano. As trajetórias reunidas no filme são marcadas por diferenças geracionais, raciais, territoriais, econômicas e profissionais.
Mas, apesar dessas diferenças, havia uma pergunta que continuava reaparecendo. Por que continuar?
Talvez uma das respostas mais fortes apareça justamente no fato de que nenhuma delas apresentou o cinema como um lugar acabado.
As falas não apontam para um cenário ideal. Também não constroem uma narrativa de superação individual.
Existe reconhecimento das dificuldades e compreensão de que permanência depende de políticas públicas, coletividade, circulação de recursos, fortalecimento profissional e transformação das próprias estruturas de produção.
As entrevistas revelaram experiências diferentes entre si, atravessadas por gerações, territórios, formas de inserção profissional e relações distintas com o cinema, mas que frequentemente retornavam a temas comuns: pertencimento, permanência, coletividade e a necessidade constante de construir espaços de reconhecimento.
Ao revisitar as gravações durante a montagem, tornou-se perceptível que muitas das respostas dadas pelas entrevistadas dialogavam entre si mesmo quando surgiam em contextos diferentes. Questões sobre autoria acabavam se conectando a reflexões sobre acesso, memória e continuidade, enquanto relatos individuais frequentemente apontavam para experiências coletivas. Entre as diferentes trajetórias reunidas pelo filme, uma ideia aparecia repetidamente: permanecer no audiovisual raramente é um movimento solitário.
Talvez por isso Parte de Mim tenha se consolidado como um título que ultrapassa a dimensão temática do documentário.
Ao final da defesa, o documentário foi aprovado com nota 10 e marcou oficialmente o encerramento da minha graduação em Jornalismo. Ainda assim, o projeto não foi concebido como um ponto final. A expectativa é que o filme continue seu percurso em futuras exibições e, possivelmente, em circuitos e festivais, ampliando as conversas iniciadas durante sua realização.
Parte de Mim busca contribuir para um debate que permanece em construção e reforçar algo que o próprio processo tornou evidente: o cinema pernambucano também foi – e continua sendo – construído por mulheres.






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