“Marty Supreme” aposta na intensidade de Timothée Chalamet, mas tropeça na própria ambição

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29 de janeiro de 2026 | 0 Comentários

Indicados ao Oscar 2026 | Melhor Filme

Marty Supreme parte de uma proposta clara: acompanhar um personagem guiado por obsessão, urgência e autoconfiança excessiva, em um retrato que aposta mais no movimento constante do que na contemplação. Inspirado livremente na trajetória do mesatenista Marty Reisman, o filme encontra em Timothée Chalamet seu principal – e quase único – motor dramático. O ator entrega mais uma atuação intensa e fisicamente exigente, mas o longa nem sempre consegue acompanhar o ritmo que ele imprime ao personagem.

Sob a direção de Josh Safdie, a obra busca traduzir em linguagem cinematográfica o estado permanente de tensão que define seu protagonista. A câmera inquieta, o encadeamento rápido de situações e a recusa em oferecer pausas indicam a intenção de criar uma experiência contínua de urgência. O problema é que essa escolha nem sempre resulta em avanço narrativo. O filme está em constante movimento, mas raramente parece sair do lugar.

Chalamet sustenta grande parte do longa sozinho, com um nível evidente de dedicação. Sua atuação demonstra controle e maturidade, reafirmando qualidades já vistas em trabalhos como Me Chame Pelo Seu Nome, Querido Menino e Duna, nos quais soube ajustar sua intensidade às necessidades de cada história. Em Marty Supreme, a escolha é por uma performance expansiva e incessante, que raramente desacelera – algo coerente com o personagem, mas que acaba expondo as fragilidades do filme ao seu redor.

Foto: Diamond Films/Divulgação

O principal problema está na confiança excessiva depositada nessa atuação. A narrativa parece partir do pressuposto de que a energia de Chalamet basta para manter o interesse do espectador, mesmo quando o roteiro passa a repetir situações e conflitos já compreendidos. Existem momentos pontuais de impacto, que sugerem uma possível virada, mas eles se perdem em uma estrutura que se alonga sem aprofundar suas ideias.

Essa repetição compromete o ritmo do filme. Embora a proposta seja a de uma obra intensa e desgastante, o efeito que se impõe é o de cansaço. Em vez de desenvolver o protagonista ou tensionar suas relações, Marty Supreme frequentemente retorna aos mesmos comportamentos e dinâmicas. O desfecho surge mais como uma necessidade narrativa do que como consequência natural do percurso apresentado, o que enfraquece o impacto final.

Entre os aspectos técnicos, a trilha sonora se destaca positivamente. Ela contribui para a atmosfera do filme e reforça o estado de inquietação do protagonista, funcionando como um apoio importante. Ainda assim, trata-se de um recurso que não consegue compensar as limitações do roteiro.

No fim, Marty Supreme se sustenta quase exclusivamente em seu ator principal. Apesar da entrega consistente de Timothée Chalamet, o filme não se coloca entre os trabalhos mais fortes de sua carreira, marcada por performances mais equilibradas e por narrativas melhor resolvidas. O resultado é uma produção com uma boa ideia e um intérprete extremamente dedicado, mas que não consegue transformar esses elementos em uma experiência realmente satisfatória.

Ambicioso e irregular, o longa chama atenção pelo esforço de seu protagonista, mas evidencia os limites de uma narrativa que confia demais na intensidade e de menos na construção dramática.

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